Valsa.

Os teus longos cabelos doirados são um convite de entrada para o teu segredo.

No instante em que te sinto e em que revejo no teu olhar perdido o nosso amor desejo intensamente perdeu-me em ti e afagar-te as mais bonitas ondas do teu corpo. 

Ainda bem que te foste embora, eu não ia resistir.

A valsa dançada em redor de nós e os nossos corpos caídos no chão, depois de uma noite de confidências e de desamores, são das coisas mais bonitas que os nossos olhos já viram.

Veste a inocência, aquela que perdeste comigo, e sai pela nossa porta fora. Leva os cabelos doirados e corta-os pela raiz, para que não sejam nunca mais tentadores aos olhos de quem os vê. 

Doce pecado, soas à melodia nunca ouvida e ao pensamento longe de ser vivido. És o ser mais divinal que algum dia poderei tocar e o encarnado dos teus lábios forma uma barreira às palavras que não devem ser ditas.

Imagino-te um dia, bem longe destes tempos que são os nossos, perdida da razão e esgotada dos amores fugazes. Vais carecer do teu mais belo doirado e do que outrora foram as ondas mais bonitas do teu corpo. 

Quando aí percorreres o meu corpo e o teu, vamos dizer adeus aos mais pequenos contos e fazer de conta. 

E, fugindo às comparações fúteis, quero-te de corpo e coração.

És tudo aquilo que eu nunca fui e tudo aquilo que nunca serás sem mim. 

publicado por Rita às 21:30 | link do post | comentar