pseudoautobiografia.

Podia começar por falar de como os meus pais me fizeram, mas isso já toda a gente sabe. Cresci por causa do lado animal humano ou por causa do amor, nunca se sabe. Tenho 17 anos e sou o resultado das boas e más experiências, das relações com os outros, da educação. Sou o mais perto da imperfeição e nunca conseguirei agradar a toda a gente. Aprendo aquilo que já sei, aquilo que não me estimula e sinto-me, na maior parte das vezes, pouco viva. Não morta, porque isso seria demasiado radical para a minha pessoa. Eu gosto da vida, gosto da conversa, gosto de pessoas interessantes e de drama. Sinto o vento, a chuva, o prazer e as tantas outras coisas que me impossibilitam de dizer que estou, inevitavelmente, morta. Já passei por traições, já passei pelo amor verdadeiro, já perdi amigos, já perdi parentes. É toda uma junção de factores que não me fazem concluir se a minha vida foi boa ou má. Gosto de acreditar que foi boa, pelo menos até agora. Que os momentos mais marcantes como as noites em que dormi em casa de amigos ou com a pessoa que amava, os jogos de voleibol, as Nacionais de Ginástica Aérobica ou os abraços que mais me consolaram fizeram tudo valer a pena. Porque fizeram e vão sempre continuar a fazer. Sinto que falo pouco de mim, naquilo cujo objectivo era contar parte da minha vida: este blog. Daí a necessidade de hoje, neste final de tarde, achar que devia isto pelo menos a mim mesma. Não gosto muito de falar de mim, nem de falar dos outros. Sempre que digo alguma coisa, penso logo que posso não estar a falar correctamente. Neste mundo onde tudo é relativo, também a razão de um ou de outro muda consoante as circunstâncias. É-me impossível culpar alguém sem margem para perdão, uma vez que há sempre margem para dúvidas ou para arrependimentos. Não sou Deus, nem tão perto disso. Já tive o destino (não o meu) nas mãos e não é agradável. Não decido vidas nem decido acções. Decido as minhas e já me é difícil. Não faço as coisas mais correctas mas também não faço as mais erradas. Vivo e arrisco pouco. Exigem de mim, na maior parte das vezes, mais daquilo que eu posso dar e onde não devia haver espaço para desilusões, há espaço para a minha. Não vou dizer que me sinto cansada de certas coisas porque não é verdade. Eu gosto da minha vida como ela é. Por mais que ache que por vezes não deva dar sempre razão aos outros, por mais que discuta com os meus pais e por mais muitas outras coisas que poderiam ser diferentes, eu não mudaria nada. Gosto de estar onde estou, gosto de amar como amo. Vou continuar a perder e a ganhar, sempre na tentativa de ser uma pessoa cada vez melhor, como um dia alguém me ensinou. É importante cair, levantar e aprender em cada derrota e em cada vitória. Somos seres propícios a agir mal, vá-se lá saber porquê. 
Somos o tudo e o nada, simultaneamente.

publicado por Rita às 17:35 | link do post | comentar